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Doze homens e uma sentença

TÍTULOS E CARTAZES

O título 12 homens e uma sentença não é uma tradução literal do nome do filme em inglês (12 angry men). As duas formas expressam a idéia do longa metragem, em português porém, dá uma idéia mais geral, enquanto em inglês faz referência ao decorrer da história.

A forma caligráfica traz as letras em caixa alta e o título está em destaque na capa do filme. O número “12” tem um realce maior e tem uma faca desenhada como se estivesse fincada no título, referência a um momento específico do filme em que é analisado um punhal como prova que poderia acusar o réu. Este objeto pode antecipar a expectativa em relação ao tema do longa metragem.

Em português, o nome é um resumo do argumento do filme, uma vez que está relacionado ao enredo, no qual doze membros de um júri devem decidir a sentença a ser aplicada a um réu. O título em inglês vai um pouco mais longe e refere-se às divergências e brigas constantes entre os jurados para tomar sua decisão, o que criou um estado de nervos na sala.

A tradução tornou mais direta a relação entre o título e a ideia principal do filme, já o nome original buscou uma análise do comportamento dos personagens para nomear a obra cinematográfica.

O destaque fundamental do cartaz é o ator principal Henry Fonda, cujo nome aparece escrito em vermelho logo acima do título, que também se encontra destacado. O material promocional em questão traz ainda um desenho, na parte superior, dos personagens por meio dos quais a história se desenvolve.

Além do ator principal, no canto inferior do cartaz, são destacados os atores Lee J. Cobb, Ed Begley, E. G. Marshall e Jack Warden. Constam também os nomes do roteirista Reginald Rose, do diretor Sidney Lumet e da produtora Orion-Nova. Henry Fonda e Reginald Rose participaram também da produção e tem seus nomes colocados novamente neste local do cartaz.

O punhal é um objeto importante que faz alguns dos personagens mudarem seu veredicto durante o filme e também está presente no cartaz em plano detalhe. Há ainda outra ilustração com Henry Fonda em primeiro plano e a cena final do filme ao fundo, dos doze homens reunidos na mesa enquadrados em plongée.

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A cor amarela foi usada em quase todo o cartaz e os desenhos em azul. Não há como fazer uma conexão entre estas cores e os gêneros indicados por Y. Baticle.

Por fim pode-se observar a presença de duas tag-lines. A primeira, com maior destaque é: Life is in their hands – death in on their minds! Há uma referência ao conflito existente durante toda a história, uma vez que os personagens podem decidir o futuro da vida do réu por meio de seu veredicto e a maioria deles afirma que o rapaz é culpado e deve ser condenado à pena de morte.

Já a tag-line escrita na esquerda do cartaz:It explodes like 12 sticks of dynamite, é uma referência semelhante à do título original. As divergências entre os jurados criam um clima tenso entre os doze homens e durante o filme o espectador tem a impressão de que a qualquer momento um deles vai “explodir”.

UM CONCEITO + UM FILME

O filme 12 homens e uma sentença tem sua história passada, quase totalmente, em apenas um cenário. Os doze jurados ficam fechados em uma sala na qual discutem e analisam novamente as provas sobre um caso de assassinato, em busca de um veredicto justo. De acordo com a crítica publicada no site Cine Players, tal característica se deve às experiências anteriores do diretor Sidney Lumet com o teatro.

O conceito a ser trabalhado nesta produção cinematográfica é o de plano seqüência. Conforme publicado no site Cine Rinha: Um plano seqüência consiste em deixar a câmera ligada e a cena é captada sem cortes. Há os que a câmera fica parada e a cena se desenrola sem grandes movimentos, uma espécie de teatro filmado. Há também a seqüência onde a câmera fica no ombro do operador.”

Cunha, autor da crítica no site Cine Players destaca que, para que o enredo não ficasse prejudicado pela forma de mostrar os acontecimentos (sempre em uma só locação), o diretor utilizou de algumas estratégias. Primeiramente a forma de apresentação do filme, sem narrador ou introdução, apenas mostrando imagens do tribunal com uma música de fundo, até chegar à sala específica.

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O plano seqüência terá a mesma função: evitar muitos cortes para não deixar o ambiente do filme cansativo ou monótono. Os personagens sempre estão em movimento e a câmera os acompanha de forma a fazer com que o espectador sinta-se observando os acontecimentos. Para Cunha “(…) o olhar é muito valorizado neste filme.”

O início da produção cinematográfica já é marcado por um plano seqüência, os jurados são chamados à sala para decidirem o veredicto. Enquanto todos os personagens entram, os créditos são mostrados e o plano seqüência continua, praticamente mostrando cada um dos personagens. Desta forma o perfil de cada um é apresentado por meio de suas próprias ações e sua interação com os outros.

O uso desse artifício é recorrente nos momentos em que os jurados discutem e cada um expõe sua opinião. Um exemplo é a cena na qual o jurado 10 expõe sua opinião sobre as pessoas do subúrbio. Durante toda sua argumentação, a câmera o acompanha e abre um plano geral para mostrar a movimentação dos outros jurados que rejeitam o discurso preconceituoso. Sem usar de palavras, as imagens, por meio do plano seqüência, conseguem mostrar a reação de cada personagem.

FILME: 12 HOMENS E UMA SENTENÇA

O filme pode ser enquadrado no gênero de suspense, uma vez que durante o decorrer da história, a dúvida entre o veredicto de culpado ou inocente é trabalhada de forma a causar dúvida e ansiedade no espectador por uma solução.

Os elementos necessários para uma conclusão do caso são colocados a cada seqüencia do filme, por meio do debate entre os personagens que acham o réu culpado e aqueles que defendem sua inocência. A surpresa da mudança dos votos a cada nova evidência que é revista pelos jurados é também um dado que pode ser usado para classificar o longa metragem como um suspense.

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A produção cinematográfica pode ser considerada como documento de uma época, pois mostra a classe média dos EUA na década de 1950. Todos do júri são homens comuns, que querem assistir a jogos de basquete, ou são treinadores de um time de futebol, ou ainda trabalhadores de comércio.

O filme então vai abordar os preconceitos da época, como quando alguns jurados decidem que o réu é culpado pelo simples fato de ser um rapaz do subúrbio e, ao mesmo tempo, um dos jurados também nascido em um destes locais se sente ofendido.

É mostrada também a relação de pais e filhos com ideais diferentes por meio do último jurado a mudar seu voto para inocentar o réu, que tem conflitos com seu filho. Esta situação é abordada no começo, quando o jurado conta suas brigas com o filho e no fim, quando ele decide inocentar o réu, pois percebe como estava sendo duro com o próprio filho.

Parte do trabalho final realizado pela aluna Ana Carolina Dias para a disciplina Fundamentos de Cinema do curso de jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH.

Acompanhe um vídeo com cenas do filme:

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One thought on “Doze homens e uma sentença

  1. Esse tá na minha lista de filmes favoritos. É um clássico! E o Henry Fonda é sempre sensacional!
    Ótima análise, curti!
    Beijos

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