::Bizarro e Pitoresca::

O blog de abobrinhas da Ana e do Luiz

Arquivo para a categoria “Filmes”

Surpresas agradáveis que acontecem na vida


Não sei se é muito comum acontecer isso com vocês, mas eu e o Luiz, várias vezes nos vemos na situação em que já vimos todos os filmes em cartaz no cinema e resta aquele que não foi muito comentado, ou que não seria uma primeira opção para a gente por motivos diversos.

Em uma dessas, nos deparamos com o horário compatível para conferir “Os Intocáveis” na telona. A única coisa pré filme que tivemos acesso foi aquele resuminho que o pessoal coloca no site junto com a imagem do cartaz.

Nos deparamos, então, com uma história maravilhosa, executada de forma fantástica. Não saberia conceituar pra vocês um “estilo” no qual o filme se encaixa. Ele tem drama, tem comédia (na medida e da maneira exatas) e é baseado em uma história real.

O que eu sei dizer é que é um filme excelente!


A construção dos personagens é feita desde a primeira cena até o último momento, no qual você ainda não sabe o que vai acontecer e o que a trama reserva. Philippe é um tetraplégico rico e me refiro a ele assim porque é exatamente a forma como as pessoas a seu redor o enxergam.

Isso até a chegada de Driss que, em busca de uma assinatura para conseguir alguns meses de seguro desemprego, acaba sendo escolhido para trabalhar cuidando do milionário por causa de sua atitude durante a entrevista de emprego.

A partir daí, a gente é colocado na pele dos dois personagens. Conhecemos a realidade pobre e difícil de Driss em contrapartida ao palácio cercado de confortos e riquezas onde vive Philippe.


Mas não é só essa dicotomia abordada. Uma coisa sobre a qual eu sempre penso muito é retratada na tela. É claro que a gente vive e age de acordo com a realidade na qual fomos criados e aprendemos a aceitar.

E é aí que vem o maior choque desta história toda, na minha opinião. Philippe não entende como alguém consegue não tratá-lo como um inválido e lidar com ele como uma pessoa comum. Já Driss nunca imaginou tanta ostentação em um lugar só e não compreende coisas que parecem tão simples para o patrão, como pagar fortunas em obras de arte que “qualquer um poderia fazer”.

Além disso, a música é um outro artifício usado para deixar claro esses conflitos. Enquanto Driss adora Earth Wind & Fire e outras bandas “populares”, Philippe admira e é conhecedo de música clássica.

O grande mérito então, está no fato de, ao mesmo tempo de não entenderem essas atitudes e realidades diferentes, cada um desses personagens deseja ser tratado dessa maneira que nunca foi próxima deles antes!


Veja bem, eles desejam essas mudanças que apareceram sem pretensão na vida deles e começam a fazê-las acontecer! Como eu já disse lá em cima, foi exatamente assim que esse filme apareceu na vida dos dois donos deste blog: sem a mínima pretensão e conquistando espaço!

Sair da zona de conforto e tentar imaginar como outras pessoas enxergam a vida sempre foi um tema que me chamou muito a atenção e o filme aborda isso de uma maneira ao mesmo tempo leve e reflexiva.

Portanto, a minha dica é: dê a oportunidade para essa produção francesa fazer a diferença na sua vida também e vai abrir seus olhos pra muita coisa além do convencional!

Fiquem com a cena mais espetacular do filme e que, na minha modesta opinião, passa bem o clima dele no geral:

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Batman ressurge e marca seu nome na história


Quem gosta do Batman, seja nos quadrinhos, filmes, desenhos animados, ou de qualquer forma, tem a obrigação de ver The Dark Knight Rises. O filme é, literalmente, um presente para os fãs. Se você não tem nenhuma ligação com o herói, a produção cinematográfica é uma ótima aula de como se fazer cinema!

O filme é claramente bem planejado, minuciosamente trabalhado e elaborado nos mínimos detalhes. Christopher Nolan não poderia ter encerrado uma trilogia de forma mais bonita, emocionante e com tanta qualidade.

No momento em que você acha que já foi o suficiente, que The Dark Knight Rises chegou ao ápice, lá vem mais pedrada na sua cara, mais tensão, mais emoção! E é disso que o filme é contruído, emoções em todos os sentidos possíveis da palavra.

Isso se deve muito ao fato do protagonista ser um personagem baseado em conflitos humanos que, desde Batman Begins, são muito bem explorados. Chego então a um outro ponto que me chamou muito a atenção: como o terceiro filme conseguiu se ligar tão bem aos dois primeiros e trazer citações e conexões com os anteriores de forma leve e marcante.


Mas, ao mesmo tempo, The Dark Knight Rises é algo totalmente novo, mostrando mais os jogos de poder nas relações sociais, mesmo em tempos de relativa paz em Gotham City. Assim, o foco continua sendo o Batman, obviamente, mas os personagens secundários não podem ser hierarquizados, já que todos têm importâncias gigantes e muito bem construídas e trabalhadas.

A minha única ressalva é a Mulher Gato, que não me convenceu muito, mas me agrediu muito menos do que eu imaginei. Senti um pouco a falta de mostrarem mais o lado vilã dela e o cabelo solto quando usando a máscara e a roupa me incomodam um pouco esteticamente…

Ainda sobre as expectativas, o meu receio de sentir um buraco pela falta que o Coringa poderia proporcionar, foi pelos ares, já que um novo mundo surge na sua frente e você passa a lembrar de The Dark Knight como uma ponte que levou a esses novos tempos.


A ideia de criar o caos, necessária para o bom desenvolvimento do Bane como personagem e vilão, foi colocada em prática de maneira primorosa. Você consegue se sentir dentro da cidade, vendo tudo cair aos pedaços e aí o espectador sente a necessidade da chegada triunfal de Batman. E isso pra mim é o que faz com que o filme esteja acima de qualquer outro do gênero.

Quem está sentado na cadeira do cinema, quando consegue parar para respirar, é levado a percebe o quanto é necessária a presença do homem morcego urgentemente! Essa urgência faz com que cada cena que se segue seja importantíssima e faz você não querer desgrudar os olhos da tela.

Fui levada às lágrimas algumas vezes durante o filme (não que eu seja um grande parâmetro, porque me emociono e expresso essas emoções facilmente), e credito isso à competência da criação dos diálogos e das sequências de tensão.

O suspense também ajudou muito nisso tudo, já que as situações “demoram” a se desenrolar e, quando você está preocupado e envolvido com determinado acontecimento, o diretor te leva para o outro lado da cidade onde algo mais está tomando lugar para depois juntar tudo sem deixar pontas soltas!


Como não gosto de escrever textos sobre filmes com spoilers, queria só citar a parte que mais me emocionou. Em Batman Begins, a cena na qual o pequeno Bruce Wayne cai no poço e seu pai o salva e fala para ele: “Why do we fall down, Bruce? So we can learn to pick ourselves up again” é para mim algo que serve para todo mundo, em todos os aspectos da vida. No primeiro filme da trilogia, Alfred volta a lembrar o adulto Bruce dessas palavras e, em The Dark Knight Rises, ele se lembra disso mais uma vez!

Além de me mostrar que tudo foi costurado e elaborado maravilhosamente na construção desse protagonista, também me serviu muito como pessoa a confirmar algo no qual eu acredito muito: que a gente leva tombos nessa vida é para se levantar e seguir mais fortes!

Se pararmos para pensar mais um pouco ainda, olha como foi tudo construído desde o início! Já no primeiro filme, era ensinado ao personagem principal a importância de se reeguer, o que é exigido dele tempos depois, na última parte da história.

Por falar no protagonista, ressalto que Christian Bale, para mim, é um Bruce Wayne perfeito em todas as suas fases. Vai do playboy incontrolável ao herói quebrado de maneira impressionate e, algo que eu acho muito importante, tem feições ótimas para o Batman com a máscara. Os olhos e a boca são muito expressivos.


Enfim, afirmo com toda a certeza que este foi um filme digno deste herói cheio de nuances e conflitos tão humanos, assim como a trilogia, que mostrou, de maneiras diversificadas, um pouquinho mais de um dos melhores Batmans que eu já tive a oportunidade e o privilégio de acompanhar.

Quando eu já estava com o texto quase todo elaborado, o meu bizarrinho Luiz me mostrou o vídeo da crítica do Maurício Saldanha e tudo que ele disse encaixou bastante com o que eu senti ao ver o filme. Então, deixo o link para vocês verem também!

O Caçador de Trolls: paisagens lindas e a velha-nova maneira de filmar


Nesse feriado eu e a querida noiva resolvemos fazer algo diferente de tudo: Maratona de Filmes! A gente quase nunca vê nada da sétima arte mesmo né?

Decididos e animados com o objetivo de cumprir a meta de 15 filmes, fizemos uma breve seleção do que veríamos e, meio que na sorte, acabei por achar O Caçador de Trolls (tradução livre feita por mim mesmo do título, TrollHunter) entre os filmes que eu já possuía por algum tempo mas não tinha assistido ainda. Desde o lançamento do primeiro trailer e notícias, o tema me interessou muito e conseguiu corresponder, não totalmente, às minhas expectativas.

A história é bem interessante e o filme tem um ritmo positivamente estranho: alguns jovens noruegueses estudantes de uma universidade vão investigar acontecimentos estranhos em uma fazenda e acham que tudo está relacionado com a prática da caça ilegal de animais. Ao se deparar com um estranho caçador, eles o seguem e acabam percebendo que o que eles têm em mãos é praticamente um documentário sobre o mito dos Trolls (comum em seu país em fábulas e na literatura em local).

As atuações são “OK”, não atrapalham, mas ninguém ali vai ganhar o Oscar de melhor ator estrangeiro. O que é realmente legal é o clima e o contraste: figuras mitológicas milenares sendo caçadas por pessoas com caminhotes e armas de luz ultra violeta e a sensação de desespero e medo do desconhecido, até mesmo depois que a primeira “ameaça” aparece, não me deixaram piscar.


Os efeitos especiais estão muito interessantes e as paisagens são absolutamente maravilhosas.  Inclusive, preciso conhecer os países do norte da Europa o quanto antes (quem não
precisa né?).

roteiro é até bem comum e muitas vezes você consegue imaginar o que vai acontecer, salvo algumas surpresas que surgem e alguns detalhes na construção do personagem que caça os Trolls. Depois da metade, o filme passa a agradar apenas os olhos, menos na cena final que é desperta emoções como tristeza e melancolia, além de ser muito bonita.

O ponto mais negativo do filme e que cansou a dupla cinéfila aqui foi o uso do “estilo Bruxa de Blair” de filmar. No início do filme aparece uma explicação de que essas filmagens foram achadas, eles dão a ideia de que são usadas câmeras amadoras e os atores fingem não ser atores. Muito batido essa “nova” maneira de filmar né meu povo?


O fato é que o filme é diferente pelo assunto que trata, clichê pela forma de filmar e muito bonito pela arte e efeito dos Trolls e pelas paisagens e locações.

Vale a pena assistir!

Ps: em alguns momentos do filme (todos) eu torci pelos Trolls e palmas para quem teve a ideia de colocar nos créditos a brilhante frase (cuidado, SPOILER): “Nenhum Troll foi feriado nas filmagens desse longa metragem.”

Flores do Oriente estreia no Brasil


Durante nossa última ida ao cinema para conferir o ótimo Plano de Fuga (Get the Gringo), eu e o meu Bizarrinho assistimos o trailer de um filme que parece ser fantástico! Ficamos super interessados e, com certeza, vamos ver assim que pudermos!

Além de ter um clima super bonito, interessante, e porque não dizer emocionante, o filme também conta com o Christian Bale (que eu adoroooo), então, pensei logo em escrever um post para o Senpuu, e foi isso mesmo que eu fiz! Aproveito as informações para registrar as expectativas aqui também e, claro, depois de conferir, farei um texto contando todas as considerações.

Pesquisei um pouco sobre o filme e descobri que o nome original é Jin líng shí san chai, e que a estreia no Brasil acontece nesta sexta-feira, 25 de maio, sendo chamado de Flores do Oriente, estreiou nos Estados Unidos em dezembro do ano passado, intitulado Flowers of War.

A história se passa na cidade de Nanjing, em 1937, tendo como pano de fundo a guerra entre China e Japão. Enquanto o exército imperial japonês chega à capital da China, civis desesperados procuram se esconder atrás das paredes de uma catedral aonde o americano John Miller (Christian Bale), no meio do caos das batalhas, usa a igreja como refúgio juntamente com garotas estudantes e treze cortesãs que também querer escapar do massacre que acontece no local.

A batalha para sobreviver à violência e perseguição imposta pelo exército japonês se torna um ato de heroísmo que vai levar o grupo formado por pessoas tão distintas a lutar arriscando suas vidas por um bem comum.

Então, fica a dica! Veja abaixo as informações técnicas sobre o filme e também o vídeo do trailer! Se vocês animarem e assistirem, comentem aqui suas opiniões também!

Ficha Técnica

Diretor: Yimou Zhang (O Clã das Adagas Voadoras)
Roteirista: Heng Liu
Elenco principal: Christian Bale, Ni Ni, Xinyi Zhang, Paul Schneider e Tong Dawei
Duração: 146 minutos
Distribuidora: PlayArte Pictures
Site Oficial:  theflowersofwarthemovie.com

Curiosidades

– Baseado no romance “The 13 women of Nanjing”, de Geling Yan.
– Flores do Oriente teve orçamento de 90 milhões de dólares.
– O filme é falado em inglês e mandarim.
– Steven Spielberg foi quem recomendou Christian Bale para o papel principal.
– É o segundo filme totalmente realizado por chineses a ter uma estrela de Hollywood como protagonista.

Trailer

Explosões, referências nerds e manobras automobilísticas incríveis? Gymkhana 4!

Segundo as minhas pesquisas rápidas, Gymkhana é um esporte de performance com carros em alta velocidade e manobras inacreditáveis de tão legais. Claro que o resultado das pesquisas eram mais formais e eu resumi para vocês.

A verdade é que o pessoal da DC (não a editora de quadrinhos, mas sim empresa de tênis, calçados etc que vocês conhecem) deixou esse esporte mais legal ainda. Com uma série de vídeos super legais e que fazem qualquer um que gosta de carros grudar na tela, eles conseguiram me viciar nessa tal modalidade.

O que me fez postar isso aqui é que a nova edição do Gymkhana da DC tem incríveis referências nerds, entre elas: De Volta Para o Futuro, Top Gun, Exterminador do Futuro…e muitas outras que vou deixar vocês mesmo descobrirem.

Como cinéfilo, achei a edição mais legal. Como fanático por corridas, achei que ficou um pouco exagerado e mostrou menos o carro e mais os efeitos, referências e easter eggs.

De qualquer forma, o curta é incrivelmente divertido e contou com a direção excelente de Ben Conrad, responsável pelos efeitos no filme Zumbilândia.

Assista e conte quantos nossas, puts e palavrões você vai soltar durante o curta!

Abraços do Bizarro.

Fuga das convenções

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“Homens que não amavam as mulheres” é surpreendente e denso para mostrar, sob diferentes ângulos, as facetas do relacionamento homem-mulher.

A adaptação do livro sueco “Man som hatar kvinnorpara o cinema, vem para o Brasil com o nome “Os homens que não amavam as mulheres”. O filme homônimo, à primeira vista, parece ser mais um suspense hollywoodiano. Mas o diretor dinamarquês Niels Arden Ople constrói personagens cativantes e explora o tema de forma inteligente durante o enredo do longa metragem.

Surpresa é a palavra que poderia resumir “Os homens que não amavam as mulheres”. Mistério, suspense e ficção atualmente tem sido, de alguma forma, banalizados e colocados dentro de padrões. A forma como tudo isso se encaixa e prende o espectador por meio de sentimentos distintos é digna de destaque.

Acompanhe a crítica em um mini podcast

Criticaoshomens by Lorena Tárcia

Depois de ficar em evidência na mídia por denunciar um caso de desvio de verbas, o jornalista Mikael Blomqvist (Michael Nyqvis) é chamado para investigar o paradeiro de Harriet Vanger, desaparecida desde 1966. Ele aceita e vai para uma ilha onde conhece a pitoresca família Vanger, cujos membros são suspeitos pelo desaparecimento da jovem.

No meio de suas pesquisas, o caminho de Blomqvist se cruza com o da hacker Lisbeth Salander (Noomi Rapace) que foi contratada para segui-lo e saber se ele realmente teria condições de resolver o caso. Os dois começam então a descobrir assassinatos relacionados a passagens bíblicas e a investigação segue até alcançar o tema central do filme, como o relacionamento homem-mulher pode mudar o rumo de vidas.

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Aqueles de estômago fraco devem pensar duas vezes antes de encarar as duas horas e trinta e dois minutos com cenas fortes e densas. A personagem principal tem problemas de agressividade e por isso tem que ser fiscalizada por um curador. O tutor que deixa a personagem tomar conta da própria vida é substituído por um homem que faz chantagem em troca de favores sexuais. O que se segue, para a construção da personagem é uma cena de estupro seguida pela vingança de Lisbeth, que espanca o homem que cometeu o abuso contra ela.

Aos olhos de um espectador menos atento, a princípio, esse tipo de cena parece desnecessária e incômoda. Mas dessa forma foi alcançada a intenção de incomodar ao mostrar a superioridade que alguns homens pensam ter sobre as mulheres por meio do ato sexual.

Outro detalhe que parece ser confuso é o aparente pouco destaque inicial para a personagem principal. A tradução do título para a língua inglesa é “The girl with the dragon tattoo”, o que leva a crer em uma importância extrema de Lisbeth na história

O maior trunfo do filme é inserir a personagem lentamente, até por uma questão da estética um pouco “agressiva”, visualmente falando e não fazer com que ela se tornasse uma espécie de “mocinha” com a qual estamos acostumados a lidar em histórias de investigação. Durante cada nova situação, Lisbeth mostra novas características que a afastam de uma heroína convencional.

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Outra fuga clara dos padrões está na fusão das histórias de Lisbeth e Blomqvist. O encontro e relacionamento dos dois servem para mostrar uma forma de envolvimento diferente entre pessoas do sexo oposto, sem os romances clichês que muitas vezes servem de válvula de escape para a tensão do assunto tratado no filme ou ainda de atrativo para o público.

Adicione a essa experiência que causa estranhamento, o fato das filmagens terem sido feitas na Suécia e mostrarem belíssimos ambientes totalmente diferentes dos quais estamos acostumados a ver. Além disso, ouvir a distinta sonoridade da língua sueca pode também ser considerado parte do clima instigante dessa produção cinematográfica.

Para os interessados no assunto e que gostarem do filme, as cenas finais deixam a entender que acontecerá uma continuação. Isso também pode ser esperado, uma vez que “Millenium” é uma trilogia e deixa aberto espaço para adaptações dos outros dois livros. O importante é saber se haverá aceitação do público para uma produção estrangeira e já circulam pela internet notícias de uma refilmagem norte-americana para “Os homens que não amam as mulheres” com a probabilidade de corte para as cenas mais pesadas. A ideia me parece o mesmo que tentar mostrar o horizonte a um cego ou tocar música para um surdo.

Texto produzido por Ana Carolina Dias para a disciplina de Jornalismo Cultural no sexto período do curso de jornalismo do UNI-BH.

Doze homens e uma sentença

TÍTULOS E CARTAZES

O título 12 homens e uma sentença não é uma tradução literal do nome do filme em inglês (12 angry men). As duas formas expressam a idéia do longa metragem, em português porém, dá uma idéia mais geral, enquanto em inglês faz referência ao decorrer da história.

A forma caligráfica traz as letras em caixa alta e o título está em destaque na capa do filme. O número “12” tem um realce maior e tem uma faca desenhada como se estivesse fincada no título, referência a um momento específico do filme em que é analisado um punhal como prova que poderia acusar o réu. Este objeto pode antecipar a expectativa em relação ao tema do longa metragem.

Em português, o nome é um resumo do argumento do filme, uma vez que está relacionado ao enredo, no qual doze membros de um júri devem decidir a sentença a ser aplicada a um réu. O título em inglês vai um pouco mais longe e refere-se às divergências e brigas constantes entre os jurados para tomar sua decisão, o que criou um estado de nervos na sala.

A tradução tornou mais direta a relação entre o título e a ideia principal do filme, já o nome original buscou uma análise do comportamento dos personagens para nomear a obra cinematográfica.

O destaque fundamental do cartaz é o ator principal Henry Fonda, cujo nome aparece escrito em vermelho logo acima do título, que também se encontra destacado. O material promocional em questão traz ainda um desenho, na parte superior, dos personagens por meio dos quais a história se desenvolve.

Além do ator principal, no canto inferior do cartaz, são destacados os atores Lee J. Cobb, Ed Begley, E. G. Marshall e Jack Warden. Constam também os nomes do roteirista Reginald Rose, do diretor Sidney Lumet e da produtora Orion-Nova. Henry Fonda e Reginald Rose participaram também da produção e tem seus nomes colocados novamente neste local do cartaz.

O punhal é um objeto importante que faz alguns dos personagens mudarem seu veredicto durante o filme e também está presente no cartaz em plano detalhe. Há ainda outra ilustração com Henry Fonda em primeiro plano e a cena final do filme ao fundo, dos doze homens reunidos na mesa enquadrados em plongée.

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A cor amarela foi usada em quase todo o cartaz e os desenhos em azul. Não há como fazer uma conexão entre estas cores e os gêneros indicados por Y. Baticle.

Por fim pode-se observar a presença de duas tag-lines. A primeira, com maior destaque é: Life is in their hands – death in on their minds! Há uma referência ao conflito existente durante toda a história, uma vez que os personagens podem decidir o futuro da vida do réu por meio de seu veredicto e a maioria deles afirma que o rapaz é culpado e deve ser condenado à pena de morte.

Já a tag-line escrita na esquerda do cartaz:It explodes like 12 sticks of dynamite, é uma referência semelhante à do título original. As divergências entre os jurados criam um clima tenso entre os doze homens e durante o filme o espectador tem a impressão de que a qualquer momento um deles vai “explodir”.

UM CONCEITO + UM FILME

O filme 12 homens e uma sentença tem sua história passada, quase totalmente, em apenas um cenário. Os doze jurados ficam fechados em uma sala na qual discutem e analisam novamente as provas sobre um caso de assassinato, em busca de um veredicto justo. De acordo com a crítica publicada no site Cine Players, tal característica se deve às experiências anteriores do diretor Sidney Lumet com o teatro.

O conceito a ser trabalhado nesta produção cinematográfica é o de plano seqüência. Conforme publicado no site Cine Rinha: Um plano seqüência consiste em deixar a câmera ligada e a cena é captada sem cortes. Há os que a câmera fica parada e a cena se desenrola sem grandes movimentos, uma espécie de teatro filmado. Há também a seqüência onde a câmera fica no ombro do operador.”

Cunha, autor da crítica no site Cine Players destaca que, para que o enredo não ficasse prejudicado pela forma de mostrar os acontecimentos (sempre em uma só locação), o diretor utilizou de algumas estratégias. Primeiramente a forma de apresentação do filme, sem narrador ou introdução, apenas mostrando imagens do tribunal com uma música de fundo, até chegar à sala específica.

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O plano seqüência terá a mesma função: evitar muitos cortes para não deixar o ambiente do filme cansativo ou monótono. Os personagens sempre estão em movimento e a câmera os acompanha de forma a fazer com que o espectador sinta-se observando os acontecimentos. Para Cunha “(…) o olhar é muito valorizado neste filme.”

O início da produção cinematográfica já é marcado por um plano seqüência, os jurados são chamados à sala para decidirem o veredicto. Enquanto todos os personagens entram, os créditos são mostrados e o plano seqüência continua, praticamente mostrando cada um dos personagens. Desta forma o perfil de cada um é apresentado por meio de suas próprias ações e sua interação com os outros.

O uso desse artifício é recorrente nos momentos em que os jurados discutem e cada um expõe sua opinião. Um exemplo é a cena na qual o jurado 10 expõe sua opinião sobre as pessoas do subúrbio. Durante toda sua argumentação, a câmera o acompanha e abre um plano geral para mostrar a movimentação dos outros jurados que rejeitam o discurso preconceituoso. Sem usar de palavras, as imagens, por meio do plano seqüência, conseguem mostrar a reação de cada personagem.

FILME: 12 HOMENS E UMA SENTENÇA

O filme pode ser enquadrado no gênero de suspense, uma vez que durante o decorrer da história, a dúvida entre o veredicto de culpado ou inocente é trabalhada de forma a causar dúvida e ansiedade no espectador por uma solução.

Os elementos necessários para uma conclusão do caso são colocados a cada seqüencia do filme, por meio do debate entre os personagens que acham o réu culpado e aqueles que defendem sua inocência. A surpresa da mudança dos votos a cada nova evidência que é revista pelos jurados é também um dado que pode ser usado para classificar o longa metragem como um suspense.

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A produção cinematográfica pode ser considerada como documento de uma época, pois mostra a classe média dos EUA na década de 1950. Todos do júri são homens comuns, que querem assistir a jogos de basquete, ou são treinadores de um time de futebol, ou ainda trabalhadores de comércio.

O filme então vai abordar os preconceitos da época, como quando alguns jurados decidem que o réu é culpado pelo simples fato de ser um rapaz do subúrbio e, ao mesmo tempo, um dos jurados também nascido em um destes locais se sente ofendido.

É mostrada também a relação de pais e filhos com ideais diferentes por meio do último jurado a mudar seu voto para inocentar o réu, que tem conflitos com seu filho. Esta situação é abordada no começo, quando o jurado conta suas brigas com o filho e no fim, quando ele decide inocentar o réu, pois percebe como estava sendo duro com o próprio filho.

Parte do trabalho final realizado pela aluna Ana Carolina Dias para a disciplina Fundamentos de Cinema do curso de jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH.

Acompanhe um vídeo com cenas do filme:

Análise de títulos e cartazes

O filme Sweeney Todd: the demon barber of fleet street, tem seu título traduzido literalmente para o português, sendo Sweeney Todd: o barbeiro demoníaco da rua fleet, mantendo a idéia original.

As letras têm formato que lembram lâminas, fazendo menção às navalhas usadas pelo barbeiro para matar suas vítimas. O esguicho de sangue no centro do título é artifício para identificar os assassinatos recorrentes na produção cinematográfica em questão.

O título ainda se refere ao personagem principal, o barbeiro Sweeney Todd que, após pensar que sua família havia sido morta e passar anos na prisão, retorna à Londres para se vingar do Juiz Turpin, o responsável por tal tragédia.

Bem como o título, o cartaz de divulgação traz em destaque o ator principal (“Johnny Depp is”), caracterizado como o protagonista Sweeney Todd, sentado no local que se tornará o ambiente da barbearia onde ele executará os assassinatos.

As cores usadas são escuras, por se tratar de um tema dramático e também pela direção de Tim Burton, conhecido por sua estética dark. O destaque para o diretor também pode ser percebido pela inscrição “a Tim Burton film”, acima do título.

Na parte inferior há ainda informações como: os estúdios (Warner Bros e Dreamworks) e seus respectivos logotipos, os nomes dos atores principais, dos produtores e do diretor (Tim Burton). Há ainda a indicação da época de estréia do filme (“this christmas”), procurando atrair os espectadores às salas de cinema.

Por fim, a tag-line: “never forget, never forgive”, faz referência ao instinto de vingança do personagem principal que tem sua liberdade, bem como a sua família, roubadas por caprichos de um homem poderoso. Mesmo com 15 anos para esquecer o ocorrido, Sweeney repete esta frase no decorrer do filme para mostrar que seu ódio não cessou e ele está à procura do culpado.

O filme de título original Full Metal Jacket, foi nomeado em português como Nascido para matar. A tradução não foi literal e o título em português sugere a idéia de um filme violento.

As letras datilografadas, pretas em um fundo branco e em caixa alta. Pelo fato das cores e letras usadas serem mais básicas, a expectativa criada é de um filme que vai passar a mensagem desejada de forma simples e direta.

À primeira vista, o título é evocativo por fazer referência à “full metal jacket”, sendo de alguma forma também, enigmático. A tradução especifica que alguém é o “nascido para matar”, o que pode nos remeter ainda a um personagem do filme.

O cartaz da produção cinematográfica em questão ressalta o diretor (Stanley Kubrick’s…), sem grande destaque para os atores. Por não haver nenhuma foto de pessoa neste material promocional, há o indício de que o tema será mais destacado.

As letras menores no cartaz contêm o nome do estúdio, do diretor, dos atores principais, dos produtores, co-produtores e ainda indica que a história é baseada em um romance escrito por Gustav Hasford. Não há referência a nenhuma premiação.

A imagem utilizada para ser a porta de entrada da produção está em primeiro plano e mostra um capacete usado por soldados, com a inscrição “born to kill”, o que explica a tradução do título já citada.

De forma contraditória ou até irônica, há no capacete o símbolo usado pelos hippies e abaixo dele munição de armas de guerra, tal imagem sugere que o tema abordado será a guerra do Vietnã.

As cores do capacete remetem à vestimenta militar e o fundo branco destaca a imagem principal que está centralizada. Há ainda ênfase no nome do diretor, o qual inclusive consta no título da obra.

A tag-line “in Vietnam the wind doesn’t blow it sucks”, indica que serão mostradas as situações difíceis enfrentadas pelos soldados em uma Guerra cheia de controvérsias como a do Vietnã.

Após assistir ao filme, algumas observações puderam ser feitas. O título original é citado pelo personagem Pyle antes de se matar. Ele tem nas mãos um rifle e diz ao seu amigo que o tipo das balas usadas são as revestidas de metal (full metal jacket).

Já o título em português e a imagem principal do cartaz, têm referência primeiramente no treinamento, no qual os soldados são motivados sempre a matar. Em um segundo momento, há alusão explícita no capacete usado pelo soldado Joker, com a inscrição “born to kill”.

Ao mesmo tempo, como é mostrado no material promocional, o soldado Joker usa em seu uniforme um botton com o símbolo hippie da paz e, ao ser questionado sobre isso, afirma ao seu superior que o usa para mostrar a dualidade dos homens.

Sendo assim, o filme utiliza muito mais de simbologias para passar sua mensagem, confirmando a idéia de não destacar nenhum ator e/ou personagem para a divulgação da produção.

Análise dos cartazes dos filmes feita pela aluna Ana Carolina Dias, para a disciplina “Fundamentos de Cinema”, do terceiro período de jornalismo do curso de jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH

Dica para cinéfilos

Fica a dica para todos que gostam de cinema!

O site moovee.me é muito interessante para catalogar e categorizar os filmes que você já assistiu. Com um login simples, você vira um usuário do site, pode seguir outras pessoas que participam e ser seguido também.

Depois disso é só começar as buscas pelas produções cinematográficas que você já assistiu, clicar, selecionar quantas estrelas o filme merece. Mas lembre-se, os títulos que devem ser usados na busca são os originais! O espaço então é para descrever em 140 caracteres o porquê da nota dada. Esse texto pode ser em tom de crítica, comentário ou apenas impressões sobre o longametragem em questão.

Além disso, existe a wishlist, onde você pode colocar os filmes que deseja ver ou que deseja ter (quem sabe rolam até umas sugestões de presentes no futuro!)

As nossas contas são: http://moovee.me/user/anacaroldias e http://moovee.me/user/LuizSchenk

A experiência é interessante já que podem ser trocadas informações diferentes sobre filmes, tanto com pessoas do seu convívio, quanto com estranhos que podem ter ideias parecidas com as suas. O site também é bem atualizado, as novidades que estão em cartaz no cinema atualmente já estão disponíveis para serem avaliadas.

A hora dos sonhos

Freddie Krueger no cartaz da refilmagem de 2010

Quem tem mais de 20 anos consegue lembrar-se de um homem com chapéu, blusa de frio listrada de preto e vermelho, rosto deformado e garras em uma das mãos. Freddy Krueger foi um personagem que habitou o imaginário de crianças e jovens dos anos 80 e permanece como figura simbólica dos filmes de terror trash.

Atualmente, Samuel Bayer foi o diretor responsável pelo remake da trama “A Hora do Pesadelo” (“Nightmare on Elm Street”), que ficou em cartaz nos cinemas do Brasil durante o mês de maio.

Como esperado, a sala de exibição do filme não estava tão cheia como os destaques “Alice no País das Maravilhas” ou “Homem de Ferro 2”, mas o público-alvo estava presente. Grupos de jovens, alguns mais velhos que se arriscavam sozinhos para ver o homem que invade sonhos. Pipoca e refrigerante comprados, lugares ocupados e uma introdução longa começa a passar no telão. A sensação inicial foi de medo, mas, antes da metade do filme, isso mudou.

O Krueger que invadia sonhos, sem palavras, sem desculpas e sem justificativas, agora dialoga com os adolescentes que persegue, se explica, conta sua “sofrida” história. As cenas clássicas, de tirar fôlego, foram remontadas de forma interessante, mas alguns acréscimos podem ser considerados desnecessários.

Corpos dos estudantes mortos no começo do filme voltam para assombrar os sobreviventes, desviando o foco do personagem principal. O pesadelo da Rua Elm começa a ter que se encaixar demais em uma estética nova, um mundo novo. Tudo tem que ter lógica e o “malvado” é inclusive trazido para o mundo real, para que os “mocinhos” possam se salvar.

Adaptar o filme para se tornar mais coerente para diferentes públicos é compreensível, se pensarmos no mercado cinematográfico, mas decepcionante para os que saíram de casa esperando algo mais de uma fórmula antiga de sucesso. Não podem deixar de ser dados os créditos à sonoplastia, que mantém a música aterrorizante e avisa da chegada de Freddy, além de interpretações razoavelmente esperadas para atores teens americanos.

O enredo se torna confuso e foge do original em alguns pontos importantes. Krueger, que antes não deixava as crianças dormirem com medo, hoje só assusta.

Resenha feita para a disciplina de Redação Jornalística II, no Centro Universitário de Belo Horizonte, no primeiro semestre de 2010.

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